terça-feira, 16 de novembro de 2010

Rendas Certas

RENDAS CERTAS

As rendas certas de termos constantes ou também chamadas séries periódicas uniformes podem ser divididas em séries postecipadas, séries antecipadas e séries diferidas.

As séries postecipadas são aquelas em que os pagamentos ocorrem no fim de cada período e não na origem, por exemplo, pagamentos de fatura de cartão de crédito.

Nas séries antecipadas, os pagamentos são feitos no início de cada período respectivo, por exemplo, financiamentos com pagamento à vista.

Nas séries diferidas, o período de carência constitui-se em um prazo que separa o início da operação do período de pagamento da primeira parcela, por exemplo, promoções do tipo “compre hoje e comece a pagar daqui a x dias”. Nas séries diferidas, quando o primeiro pagamento ocorre no início do primeiro período após o término da carência, chama-se série diferida antecipada; se for no final do primeiro período após o término da carência, chama-se série diferida postecipada.

·         Séries Uniformes Postecipadas
Na série postecipada, os pagamentos ocorrem no fim de cada período:
                                                            PMT (Valor dos  termos da série)
 



              0               1               2               3               4.........................n (número de termos da série)

·         Séries Uniformes Antecipadas
Na série antecipada, os pagamentos ocorrem no início de cada período:
                                                            PMT
 



              0               1               2               3               4.............................n-1


·         Séries Uniformes Diferidas
Série diferida antecipada
                                                            PMT
               
                 carência
 

              0               k              k+1           k+2            k+3..........................k+n


Série diferida postecipada
                                                            PMT
              
                 carência
 

              0               k              k+1           k+2            k+3..................... k+n+1






MONTANTE DAS RENDAS CERTAS, TEMPORÁRIAS DE TERMOS CONSTANTES



            Como você deve se lembrar , Montante nada mais é do que a somatória dos juros com o capital principal.

            Definimos montante de uma renda certa como a soma dos montantes de seus respectivos termos.

            Para saber se estamos diante de uma série do modelo básico, postecipada, ou diante de uma série antecipada, devemos observar o último intervalo da série.

            Lembrando, a série é postecipada quando a parcela ocorre no final do intervalo. Em série postecipada o valor futuro ocorre na data do último depósito.


          FV        Valor Futuro ou Montante
          PV        Valor Presente
         PMT      Prestações ou Valor dos depósitos
            n        Números de Prestações ou Depósitos
            i          Taxa de Juros


POSTECIPADAS

·                     Cálculo do valor futuro (FV)
            Podemos determinar o montante de séries, basicamente de três maneiras distintas: pelo somatório dos montantes de cada depósito, pela fórmula ou pela calculadora financeira.

Exemplo 1
            Uma pessoa deposita mensalmente numa caderneta de poupança programada o valor de   $ 5.000,00. Sabendo que o Banco paga juros de 5,5%a.m., quanto possuirá no momento do 5º depósito?
Solução:
PMT = $5.000,00
i = 5,5% a.m.
n = 5 depósitos mensais
FV = $ ?

                            PMT           PMT          PMT          PMT           PMT
 


              0               1               2               3               4                5

a) Pelo somatório do montante de cada depósito
            Podemos determinar o montante de uma sucessão de pagamentos, recebimentos ou depósitos através do somatório dos montantes de cada anuidade.

            A fórmula para o valor futuro de cada depósito é:
ou
 
 


            O somatório dos valores futuros é:


b) Pela fórmula
            Os fatores que determinam o montante de cada prestação “PMT” mantêm entre si uma progressão geométrica e, por isso, será usada a fórmula do somatório da progressão geométrica.

            Denominar-se-á o resultado do somatório da progressão geométrica de FATOR DE ACUMULAÇÃO DE CAPITAL de “n” períodos na taxa “i”:
 
 




            Este fator pode ser encontrado na tabela financeira.

            Podemos calcular o montante, multiplicando o depósito pelo valor do fator acima encontrado.

Desta maneira a fórmula ficará:
 
 





Exemplo 2 (Roberto pg. 276 Problema Proposto 1)
           
Determinar o montante ou capital acumulado pelo depósito periódico postecipado (periodicidade dada abaixo juntamente com a taxa de juros compostos) de R$ 1.000,00 em um Fundo de Renda Fixa, durante 3 anos:
Depósito                  Taxa
(a) Mensal                3,5% a. m.
(b) Trimestral           28% a. a. capitalizada trimestralmente
(c) Semestral           21% a.a.
(d) Bimestral             3% a.m.

Solução:
PMT = $1.000,00
Duração = 3 anos
(a) n = 312 = 36 depósitos mensais
      i = 3,5%a.m
 (b) n = 34 = 12 depósitos trimestrais
      i =  = 7% a.t.


(c) n = 32 = 6 depósitos semestrais
      i = 21% a.a. =  -1= 10% a.s.

 (d) n = 36 = 18 depósitos bimestrais
      i = 3% a.m. =  -1= 6,09% a.b.

·                     Cálculo do valor do depósito (PMT)

            O valor  das  prestações  também  pode  ser  calculado  a partir do montante de anuidades,
apenas posicionando antes da igualdade o        PMT     que é a representação do valor do depósito.

Exemplo (Roberto pg. 278 Problema Proposto 6)
            Quanto um poupador deverá depositar ao fim de cada trimestre durante 3 (três) anos para formar um capital acumulado de R$ 100.000,00 ao término desse prazo, recebendo uma taxa de 18% a.a. capitalizada trimestralmente?
a)      R$ 8.333,33
b)      R$ 6.466,62
c)      R$ 2.862,78
d)      R$27.992,39
e)      R$ 6.569,91

Solução:
FV = $100.000,00
i =  = 4,5% a.t.
n = 34 = 12 depósitos trimestrais
PMT = $ ?
 
 







Resposta: Letra (b) 6.466,62

·                     Cálculo da taxa (i)

            Como se tem dificuldade em determinar a taxa, pode-se encontrá-la pela interpolação, pela tentativa e erro e / ou pela calculadora financeira.

Exemplo
            Uma pessoa deposita mensalmente $5.000,00 numa caderneta de poupança e, no momento do 5º depósito, seu saldo era de $28.753,70. Determinar a taxa de juros paga pelo banco.

Solução:
FV = $28.753,70
PMT = $5.000,00
n = 5 depósitos mensais
i = ? %a.m.

 
 


            Neste caso, procurando na tabela financeira, temos = 5,750739, ou seja i = 7% a.m., que é uma diferença com a qual não nos preocuparemos.

           

·                     Cálculo da quantidade de depósito (n)

            Podemos determinar a quantidade de depósitos pela fórmula:

 
 




Exemplo
            Quantos depósitos mensais de $5.000,00 deverão realizar uma pessoa para que tenha no ato do último depósito o saldo de $27.905,46, recebendo uma taxa de 5,5% a.m.?

Solução:
FV = $27.905,46
PMT = $5.000,00
I = 5,5% a.m.
n = ? depósitos mensais

            Usando a tabela financeira, encontramos que n é, aproximadamente 5 depósitos, utilizando o fator como = 5,581091026.
            Se não encontrar um valor aproximado na tabela financeira pode ser utilizado o logaritmo:




            Vamos agora utilizar o logaritmo:
            Utilizando uma das propriedades do logaritmo, teremos:
               n = 5 depósitos mensais


ANTECIPADAS

            É uma série antecipada relativa ao montante quando o último depósito da série ocorrer um intervalo antes do momento em que queremos saber ou sabemos, o montante. Diagrama:
            PMT           PMT          PMT        ...              PMT
 


              0               1               2             ...                n-1              n

·                     Cálculo do valor futuro (FV)
            Para calcular o montante utilizaremos a seguinte fórmula:
 
 







Exemplo

            Determinar o montante ou capital acumulado pelo depósito periódico antecipado (periodicidade dada abaixo juntamente com a taxa de juros compostos) de R$ 1.000,00 em um Fundo de Renda Fixa, durante 3 anos, com depósitos antecipados:
Depósito                  Taxa
(a) Mensal                3,5% a. m.
(b) Trimestral           28% a. a. capitalizada trimestralmente
(c) Semestral           21% a.a.
(d) Bimestral             3% a.m.
Solução:
PMT = $1.000,00
Duração = 3 anos
(a) n = 312 = 36 depósitos mensais
      i = 3,5%a.m

(b) n = 34 = 12 depósitos trimestrais              i =  = 7% a.t.
(c) n = 32 = 6 depósitos semestrais
      i = 21% a.a. =  -1= 10% a.s.

(d) n = 36 = 18 depósitos bimestrais
      i = 3% a.m. =  -1= 6,09% a.s.

DIFERIDAS

            Para o montante, carência não existe antes dos depósitos; se considerarmos alguma carência, esta deverá ser após o último depósito. Sabemos que, quando não temos valor depositado, não recebemos juros, por este motivo a afirmação acima.

            Assim, quando queremos saber um montante mais de um intervalo após o último depósito, calculamos o montante da série e depois o montante por capitalização composta.

            Fórmula para o montante da renda diferida de termos postecipados:

                            PMT           PMT            ...            PMT           FV=?
 


              0               1               2               ...               n              n+k
Onde: n = número de termos
           k = diferimento ou prazo de carência

 
 


Exemplo

           
Uma pessoa efetua 8 depósitos mensais de $ 20.000,00, recebendo uma taxa de 10%a.m. de juros. Quanto terá esta pessoa 4 meses após o último depósito?
Solução:
PMT = $ 20.000,00
i = 10% a.m.
n = 8 depósitos mensais
k = 4 meses de carência
FV = ?

            Fórmula para o montante da renda certa diferida de termos antecipados:

            PMT           PMT          ...             PMT                          FV=?
 


              0               1               ...             n-1              n              n+k

Onde: n = número de termos
           k = diferimento ou prazo de carência

 
 








Obs. Usar o exemplo anterior sendo antecipado.

SÉRIES FINITAS DE PAGAMENTOS POSTECIPADAS, ANTECIPADAS E DIFERIDAS: VALOR ATUAL. SÉRIES INFINITAS (OU POSTECIPADAS)

VALOR ATUAL

            Valor Atual ou Valor Presente das Rendas Certas pode ser definido como a soma dos valores atuais dos seus respectivos termos.

POSTECIPADAS

·                     Cálculo do valor presente (PV)

            Para determinarmos o valor atual de uma sucessão de pagamentos ou recebimentos, somamos o valor atual do desconto racional composto de cada parcela da série

            Podemos determinar o valor atual de séries, também de três maneiras distintas: pelo somatório dos valores atuais de cada depósito, pela fórmula ou pela calculadora financeira.

Exemplo

            Determinar o valor, a vista, de uma série de 6 prestações (títulos) de $20.000,00, vencíveis mensalmente, a partir do 1º mês, sabendo que a taxa é de 5% a.m.
Solução:
PMT = $ 20.000,00
i = 5% a.m.
n = 6 depósitos mensais
PV= ?

          PV=?          PMT         PMT           PMT          PMT          PMT         PMT
 


              0               1               2                3               4               5                6  

a) Pelo somatório dos valores atuais de cada depósito
            Partindo da fórmula do desconto racional composto, temos:
 
 




            Onde o “n” será substituído pelo número correspondente à prestação, da seguinte maneira: na primeira prestação “n” será 1, na segunda “n” será 2 e assim por diante.

            O FV, quando queremos calcular o valor atual de uma série de pagamentos, será o valor de cada prestação.

            O somatório dos valores atuais é:
 
b) Pela fórmula
            O resultado do somatório da progressão geométrica passaremos a denominar de FATOR DE VALOR ATUAL de “n” períodos na taxa “i”:


Esse fator pode ser encontrado na tabela financeira.
 
            Podemos calcular o valor atual, multiplicando o depósito pelo valor do fator acima encontrado.

            Desta maneira a fórmula ficará



 
 









ANTECIPADAS

            A série é antecipada em relação ao valor atual quando a primeira parcela ocorrer na data zero, de entrada, sendo esta entrada de mesmo valor das demais parcelas. Diagrama:


            PMT         PMT           PMT          PMT          ...             PMT
 


              0               1               2                3              ...             n-1               n  


·                     Cálculo do valor presente (PV)
            Para calcular o valor atual utilizaremos a seguinte fórmula:
 
 




Exemplo

            Determinar o valor, a vista, de uma série de 6 prestações (títulos) de $20.000,00, vencíveis mensalmente, sendo a primeira no ato da compra, sabendo que a taxa é de 5% a.m.

Solução:

PMT = $ 20.000,00
i = 5% a.m.
n = 6 depósitos mensais
PV= ?


DIFERIDAS

            Séries diferidas antecipadas em relação a um valor atual são aquelas em que a primeira parcela vence juntamente com a carência, enquanto séries postecipadas são aquelas em que a primeira parcela vence um período após a carência.

            Fórmula para o valor atual da renda diferida de termos postecipados:

          PV=?                                         ...                          PMT          PMT       ...        PMT
 


 
              0               1               2          ...           k              k+1            k+2       ...          k+n  
Onde: n = número de termos
           k = diferimento ou prazo de carência


Exemplo

            Aproveitando a promoção comercial: “Compre hoje e somente comece a pagar depois de 4 meses”, uma pessoa adquire uma mercadoria mediante 6 prestações mensais e iguais a R$ 1.200,00, vencendo a primeira prestação 30 dias após o vencimento da carência. Considerando que há no mercado de capitais uma taxa de juros compostos de 4,5%a.m., qual o valor máximo que estaríamos dispostos a pagar à vista pela referida mercadoria?

Solução:

PMT = R$ 1.200,00
i = 4,5% a.m.
n = 6 depósitos mensais
k = 4 meses de carência
PV = ?

            Fórmula para o valor atual da renda certa diferida de termos antecipados:

          PV=?                                ...         PMT       PMT       PMT   ...          PMT
 


              0            1             2       ...           k           k+1        k+2       ...    (k+n-1)      k+n  
Onde: n = número de termos
           k = diferimento ou prazo de carência

 
 






VALOR ATUAL DAS RENDAS CERTAS PERPETUA


            As séries perpétuas são aquelas cujo prazo é ilimitado, não tem previsão de terminar. Não podemos calcular o montante da série perpétua por não termos a quantidade de prestações definidas.

            Para uma renda certa perpétua, imediata e postecipada, seu valor presente será:

                            PMT          PMT          PMT             ...     
 


              0               1               2                3                ...     

 
 





Exemplo

            Uma residência foi alugada por $350,00 mensais. Se a taxa de melhor aplicação no mercado financeiro paga juros de 2,3% a.m., qual seria o provável preço do imóvel?

Solução:

PMT = $ 350,00
i = 2,3% a.m.
PV = ?
PV = 15.217,39

            Para uma renda certa perpétua, imediata e antecipada, seu valor presente será:

           PMT          PMT          PMT          PMT             ...     
 


              0               1               2                3                ...     
 
 





            Para uma renda certa perpétua, diferida e postecipada, seu valor presente será:

           PV=?                          PMT          PMT          PMT         ...     
 


              0               k              k+1           k+2            k+3          ...     

 
 








Exemplo

            Uma jazida de ouro, com reservas para exploração por mais de cem anos, produz lucros médios de $4.000.000/ano. Calcular o valor da mina, considerando que nos próximos dois anos a mina não operará por motivos de renovação de equipamentos. O custo de oportunidade do capital é de 15%a.a.

Solução:

PMT = $ 4.000.000
i = 15 % a.a.
k = 2 anos de carência
PV = ?
PV = 20.163.831,13



            Para uma renda certa perpétua, diferida e antecipada, seu valor presente será:

           PV=?          PMT        PMT          PMT          PMT         ...     
 


              0               k              k+1           k+2            k+3          ...     

 
 







Exemplo

            Uma sociedade de beneficência pública ganhou de um mecenas uma doação de $25.000/ano em forma indefinida, recebidos no início de cada ano depois de transcorridos dois anos contados a partir da data da doação. A juros de 15% a.a., calcular o valor presente dessa doação.
Solução:
PMT = $ 25.000
i = 15 % a.a.
k = 2 anos de carência
PV = ?
PV = 144.927,54

EXEMPLOS DE APLICAÇÃO

Exemplo 01 

            Calcular o valor atual ou presente de uma seqüência de depósitos periódicos (periodicidade fornecida abaixo juntamente com a taxa de juros), postecipados, de R$ 10.000,00, durante 2 (dois) anos:
Depósito                  Taxa
(a) Mensal                  4% a. m.
(b) Bimestral             30% a. a. capitalizada bimestralmente
(c) Trimestral              3% a.m.
(d) Quadrimestral     33,1% a.a.
Solução:
PMT = $10.000,00
Duração = 2 anos

(a) n = 212 = 24 depósitos mensais
      i = 4 %a.m




(b) n = 26 = 12 depósitos bimestrais          
      i =  = 5% a.b.

 (c) n = 24 = 8 depósitos trimestrais
      im = 3% a.m  it. =  -1= 9,2727% a.t.

(d) n = 23 = 6 depósitos quadrimestrais
      ia = 33,1% a.a.  iq =  -1= 10% a.q.